A divina comédia vascaína

Talvez nem Dante Alighieri imaginasse um personagem tão sombrio e burlesco ao mesmo tempo. O inferno de Dante se comparado ao senhor candidato vitorioso de ontem com a urna da discórdia seria considerado o céu. O que aconteceu ontem nas eleições cruzmaltinas foi uma manobra ardilosamente criminosa. Isso mesmo um crime lesa-clube. A situação se utilizou de forma tacanha e desavergonhada a máquina administrativa para admitir sócios votantes, alguns deles com irregularidades escandalosas. Lamentáveis os fatos ocorridos ontem. Parece que estamos em 1967, quando o líder dessa maracutaia desavergonhada desligou a luz da Sede da Lagoa para impedir a cassação de um presidente, na época Reinaldo de Matos Reis, também acusado de irregularidades. Estes filmes já vimos antes e não vale a pena ver de novo.

Até então, antes da urna da discórdia, tudo transcorria de forma relativamente tranquila, com Julio Brant liderando 90% das parciais de boca de urna. Só que ao conversar com amigos, foi dito para não termos euforia para tomarmos cuidado, porque viria a urna da discórdia. E ela veio com 90% dos votos para Eurico Miranda. Um escárnio. Nem em eleições fraudadas pelo mundo, se tem 90% dos votos em um candidato. Isso é uma excrescência, para não dizer pior. Isso fere o bom senso de qualquer coisa, um absurdo. Ninguém consegue vencer uma eleição com 90% dos votos. Já houve fraudes e fraudes em inúmeras eleições; mas essa daí é inédita. E nós, a massa torcedora, ficamos simplesmente perpelexos. Acreditava-se que dessa vez poderíamos acabar com o status quo. Mas o Dick Eurico estava esperto e disse durante o pleito:”aqui no Vasco ninguém ganha de mim. Nunca!”. Eis a razão: a urna da discórdia.

Ou seja, caberá agora a justiça decidir o que fazer. A urna foi lacrada e levada pela PM para lá. Fernando Horta entrou com uma ação, alegando irregularidades nos sócios que entraram entre outubro e novembro de 2015. E não constava na tesouraria do clube os pagamentos dos mesmos. A justiça apontou as irregularidades, mas não impediu os sócios suspeitos de votarem. Agora o estrago está feito. Mas é preciso dizer o seguinte: se isso estava previsto, por que Horta não se uniu a Brant, ficou de birra com o Roberto Monteiro para não se unir ? O fato é que, com os votos dados ao Horta, antes de ele renunciar a candidatura, Brant teria ganho de Eurico, independente da Caixa de Pandora euriquista. Agora, teremos que destruir a caixa de Pandora euriquista para termos um momento de paz e se livrar do jugo euriquista.

E agora Dante ? Parece que a sua divina comédia foi superada neste século. Pois com todos os fatos ocorridos ontem, o seu inferno é fichinha, perto da caixa de Pandora do senhor Dick Eurico. Resta agora à justiça desfazer esta comédia sem graça a que fomos submetidos. Amém.

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