A diferença é que temos goleiro

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A vitória de virada sobre o Volta Redonda foi tranquila. Como sempre, a calma começa com Martín Silva. O gringo, ontem, tomou seu primeiro gol, falhou em uma saída de bola e bateu roupa numa dividida com um atacante do Voltaço. Nada disso abalou a estrutura mental dele e, na hora fatal, estava lá seu pé salvador para tirar um gol certo do adversário. Eis a grande diferença do uruguaio para os três peladeiros que se revezaram na meta vascaína em 2013: o cara não se abala. O gol tomado aos 9 minutos, o primeiro dele no clube, não fez nem cosquinha, muito menos os dois equívocos de jogo. Um grande goleiro não se abala com nada, é frio, gélido, de aço inoxidável. Gilmar era assim, Taffarel era assim e, pelo visto, o Martín Silva também é…

Com um cara como este no gol, o trabalho do time fica mais simples. O sistema defensivo, com a entrada de Henrique na lateral-esquerda (boa medida poupar o Marlon, que está ameaçando estourar) e de Pedro Ken no lugar do suspenso Aranda, comportou-se bem. Foi surpreendido no começo, numa jogada individual do Volta Redonda, mas temos outros dois jogadores experientes, fora Martín Silva, que mesmo não jogando um futebol refinado, passam segurança ao grupo. Falo de Rodrigo e Guiñazú, que procuram sempre fazer o simples – e isso vem dando certo.  Não inventar naquela região do campo é o primeiro passo para ter um time sólido. Não é à toa que o Vasco levou apenas três gols em seus jogos – média de meio por partida. Quem diria: é a melhor defesa do campeonato.

A nota dissonante tem sido Fellipe Bastos. É fácil entender a impaciência da torcida do Vasco com ele. O cara erra acima do normal. No geral, passes bobos, de poucos metros, quase sempre na entrada da área. Não entendo o cartaz dele com os técnicos – deve ser por causa da bola parada. No meu time, se eu jogasse com três volantes, até para não desgastá-lo ainda mais com a torcida, o Fellipe Bastos já teria rodado… Colocaria até o Pedro Ken, embora este continue sendo um jogador sem sangue e vibração. Mas, pelo menos, a bola chega no pé do jogador a dois metros dele.

Na frente é que o Vasco dá sinais de franca recuperação. Me desculpe quem é fã do Marlone, mas o time joga mais fácil sem ele, que se achava o craque no fim do ano passado. Bernardo ou Montoya e a dupla de frente, com William Barbio e Edmilson ou Thalles, dão muito trabalho. O que não quer dizer que eu não preferiria um time ainda mais ofensivo, com o sacrifício de um volante para colocar mais um meia – e ai teríamos um quarteto ofensivo. Até mesmo o Barbio, o mais fraco da frente, por conta de falhas em sua formação como jogador – corre muito e pensa pouco – tem dado um suadouro nos zagueiros rivais. Ok, estamos falando dos pequenos times cariocas, o que é um quase nada, mas é em jogos assim que se ganha confiança.

A chegada do Douglas (leia abaixo minha opinião) é um reforço, mas o time ainda precisa de outro atacante. Hoje, sinceramente, eu escalaria Thalles e Edmílson, pois os dois sabem jogar dentro e fora da área, o que é uma vantagem. Com isso, eu guardaria a correria do Barbio para um segundo tempo. Mas entendo a opção do Adilson. Forte e com bom jogo de corpo, Thalles é um garoto de 18 anos e sua entrada aos poucos vai surtir mais efeito, já que ele está amadurecendo no convívio com os mais velhos. O problema é a diretoria negociar o guri por duas mariolas e um cigarro Yolanda, como vem fazendo desde os tempos em que um certo charuteiro era o presidente…

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Parece que Douglas vem mesmo. É uma boa aposta. Sabe jogar, tem um chute interessante, mas não vem mostrando o que sabe nos últimos anos. Precisa do Vasco mais do que o Vasco precisaria dele – se não vivêssemos uma seca de bons jogadores há algum tempo. Uma grande temporada de Douglas no clube vai valorizá-lo no futebol brasileiro – e aí ele pode encontrar mercado em outra equipe ou mesmo voltar ao Corinthians em alta, pois dificilmente vamos ter grana para pagar a transferência de um cara da idade dele (hoje, 31 anos). E eis o maior problema do momento no Vasco: viramos porto de náufragos e vitrine de promessas. O clube precisa retomar sua grandeza e ser o time que o jogador quer para vestir a camisa e mostrar que é craque para a torcida vascaína, não para outras agremiações e empresários. Este tipo de contratação me lembra o America dos anos 80, época em que o cara ia para a equipe rubra com o objetivo de sair da baixa ou se destacar em começo de carreira. Desde o nosso nascimento, sempre fomos maiores que o simpático clube tijucano, mas precisamos de um antídoto para esta síndrome de pequenez que se abateu sobre nossa sede na última década.

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Alguém precisa avisar ao sr. Roger Flores, do SporTV que o nome do camisa 31 do Vasco é BernardO, e não Bernard. Chega a ser irritante acompanhar uma transmissão com ele comentando o futebol vascaíno. É Bernard para lá, Bernard para cá. O ex-da Deborah Secco (sua maior conquista nos gramados) já devia ter aprendido que o Bernard era do Atlético-MG, rival do Cruzeiro onde ele jogou (diria melhor, onde ele chinelou…), e está atuando na Ucrânia desde agosto do ano passado.

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Olho neste zagueiro Marcelo, do Volta Redonda. Tem só 22 anos, é alto, sabe marcar direitinho e pode dar caldo. Uma contratação para compor elenco da Série B que pode virar um bom valor no grupo. Como, aliás, foi um certo Dedé, pinçado no mesmo clube e que fez falta em 2013…

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Para dar ponto final, um pouco de sofrimento… Como todo sujeito de origem lusitana criado ouvindo fados, acho que a vida não teria graça alguma se não nos torturamos um bocadinho. Se o goleiro do Volta Redonda estivesse no Vasco em 2013, a chance de cair era 50% menor. E olha que se trata de um borboleta… E se fosse o Martín Silva? Bom, aí estaríamos na Sul-Americana. No mínimo…

Posted By Jorge Eduardo

2 Comments

Horacio

É isso, resenha muito precisa de ontem.
Sobre o Pedro Ken ele não me parece mais aquele jogador sem sangue do primeiro semestre de 2013, antes d’ele ser escalado como volante. Ontem e contra o Botafogo eu vi muita correria e disposição, tudo que a gente pode esperar dele, mais do que isso não dá.
As falhas de marcação normalmente são reflexo do afobamento do Fellipe Bastos que avança irresponsavelmente sobre os adversários e quase sempre toma o drible… Alguém precisa avisá-lo que em campo é bem diferente do FIFA 14.
Abraços e SV

Jorge Eduardo

Muito bom, Horacio. De fato, parece que o FB joga um Fifa 2014 em tamanho real…

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