A César o que é de César

Pode até parecer algo infundado, mas o fato é que é incrível como tendemos a imputar a terceiros falhas exclusivamente nossas.

Finda a penúltima rodada, onde os resultados ainda nos deixaram um fiapo de esperança, e o papo nas mídias sociais esportivas era um só: irá o Fluminense “entregar” o jogo ou não?

Eu não consigo entender como um problema estritamente do Fluminense pode nos ser interessante…

Ora, se torcemos para o Vasco, o que nos interessa que atitude tomará o time tricolor? Se eles jogarão sério e vencerão, se eles jogarão a vera e perderão ou até se “entregarão” o jogo é um problema único e exclusivo do Fluminense!

Eles que depois se justifiquem para quem tiver que se justificar. Seja para seus torcedores, seja para a imprensa esportiva, seja para o STJD, seja para Deus, Maomé, Power Rangers, Mickey Mouse, ou sei lá quem!

Nós não temos absolutamente nada a ver com isso.

Nossa preocupação deveria ser: vencer o Coritiba. E nada mais!

Se a queda se confirmar, o que infelizmente me parece mais provável, que culpemos o único culpado: o Sr. Eurico Miranda. Independentemente de que atitude tomou o Fluminense.

Por favor, não me venham dizer que num campeonato de 38 (TRINTA E OITO!) rodadas uma possível derrota do Flu é que nos rebaixará. Não entrem nessa bobagem que querem nos imputar, pois senão não poderemos depois reclamar quando aquele jornaleco mequetrefe colocar em suas manchete: “O Flu rebaixou o Vasco”.

Não. Nossa queda foi construída nas 19 rodadas iniciais mais medonhas de nossa história. De uma maneira que só uma campanha acima da média do campeão poderia nos salvar. E ainda assim, diante de tudo, fizemos um belíssimo papel no segundo turno, tirando uma diferença que era de 13 pontos até chegarmos à última rodada com apenas 1 ponto do primeiro time fora do Z4.

Paremos pois de nos preocupar com o que o rival tricolor vai fazer ou deixar de fazer. Essa é uma matéria que, além de não nos dizer respeito, revela uma boa dose de hipocrisia.

Afinal qual você acha que seria o comportamento da maioria da nossa torcida se as posições tivessem invertidas?

A César o que é de César. Ao Flu o que é do Flu. E ao Vasco o que é do Vasco.

A rivalidade, a zoação é uma parte importante do futebol. Algo que deve ficar entre os torcedores e que dá graça ao futebol.

Mas atitudes como a de ameaçar o VP de futebol do Fluminense e toda a sua família é algo muito diferente. É crime. É bárbaro. Não é rivalidade. É digno de marginais e não de torcedores.

Aproveito para adiantar qual seria o meu posicionamento caso as posições estivessem invertidas.

Imagine-se do outro lado. Imagine que o presidente do seu rival é nada mais nada menos que o Sr. Eurico Miranda.

Claro que nós, vascaínos (alguns…), sofremos muito mais por conta de suas bravatas e de sua arrogância, mas você já parou para pensar o que sofre os seus amigos torcedores dos rivais com as idiotices proferidas pelo nosso atual mandatário?

Pois bem: ainda assim, eu jamais pediria ou torceria para o meu time “entregar” uma partida, mesmo que fosse para prejudicar um hipotético Eurico Miranda rival.

Não quero essa mancha no currículo do meu clube, afinal as pessoas, jogadores, dirigentes e até torcedores passam, mas o Vasco é imortal.

Valores não se negociam, não se flexibilizam de acordo com a oportunidade. Ou se tem em 100% dos casos ou não se tem.

Como sempre diz minha querida amiga Carolina Sousa, seja qual for o desfecho desse campeonato, qual for o destino que nos reserva o ano que vem, eu estarei ao lado do Club de Regatas Vasco da Gama.

Incondicionalmente.