A bola matinal

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Não estava nos planos, não constava do script. No futebol brasileiro, a surrada palavra “planejamento” pode ter significados diferentes entre um domingo e uma quarta-feira. O fato é que chutaram para o alto, a bola quicou, virou lançamento e, posteriormente um grande gol.

As partidas às onze horas da manhã são um sucesso do Campeonato Brasileiro de 2015.

A versão oficial aponta que o inusitado levou a esse caminho: duas partidas do Palmeiras no Paulistão, disputadas de manhã por determinação da PM, seriam a fonte de inspiração do Sr. Del Nero, chairman do football desta terra.

É possível suspeitar.

Há décadas, o futebol paulista teve a tradição de realizar jogos no domingo às onze. Inclusive o Paulistão de 2001 ou 2002 foi decidido entre Santos e São Paulo neste horário, com direito a gol de falta de Rogério Ceni. A FPF sempre promoveu a mesma característica em todas as divisões.

Muito antes disso, no fim da década de 1970, a Bandeirantes transmitia para o Rio de Janeiro – e outras praças – um jogo a cada domingo de manhã. Tempos dos afiados Marília, o moleque travesso Juventus da rua Javari e o Botafogo de Ribeirão Preto, a Francana também.

Acreditem: já teve até Libertadores da América neste horário. Palmeiras e Guarani na edição de 1979, enfrentando os peruanos Universitario e Alianza de Lima.

Ou seja, velha tradição dos gramados paulistas, agora espalhada Brasil afora.

Alguns clubes como o São Paulo fizeram promoções de ingresso. Tudo bem. O sucesso veio por outros motivos. Talvez a sensação de uma boa programação pela manhã. A impressão de que o domingo rende mais quando o jogo acaba cedo – que tal um bom almoço a seguir? Menos insegurança à luz do dia. A diferença da tradição. Pode ser qualquer coisa, exceto planejamento.

Se Del Nero pensou em novas vendas de transmissões para os mundos árabe e asiático, é outra história. Mas deu certo, pegou e, quando isso acontece, o torcedor não está nem aí para os arredores: quer mais é gritar e vibrar com seu time. Aquela velha história: se for para ser campeão, vale tudo.

Não se falou um pio sobre a economia de energia elétrica. O pessoal não costuma se ater a detalhes.

Nota: porque só o Flamengo pode ser transmitido ao vivo para a própria praça, caso deste momento no Maracanã contra o Santos? Não basta espanholizar, é preciso cartelizar.

@pauloandel