A batalha final

zr rodada 38 brasileiro 2015

Semanas e semanas atrás, escrevi aqui mais por mais de uma vez que o Vasco, embora estivesse numa situação muito difícil, passava longe da impossibilidade de se manter na primeira divisão.

E aí está a rodada 38 de 2015 que não me deixa mentir.

Tivesse o clube feito as mudanças necessárias umas duas ou três rodadas antes, este time que vem desempenhando seu papel com gana e fibra já estaria matematicamente livre do descenso. Mas falar à distância é mais cômodo.

Meus seis leitores deste espaço devem imaginar: diante do cenário desenhado, o que um torcedor do Fluminense diria para os vascaínos desta casa?

Algumas coisas simples.

Em primeiro lugar, rivalidade para mim só existe no campo.

Segundo: beira à irracionalidade um torcedor pedir para que seu time entregue um jogo. Questão de princípios, caráter e ética. Nunca torci por isso, continuarei não torcendo. Não condeno quem faça, apenas não é a minha linha de pensamento.

Terceiro: quis o destino que acontecesse este desenho final, com o Vasco precisando que o Fluminense tire ao menos um ponto de um adversário direto da Colina, o Figueirense, além de ter que vencer o Coritiba em casa e que o Avaí não vença o Corinthians em São Paulo. Então que rolem os dados.

Quarto: toda vez que um time depende da combinação de outros resultados, a coisa sempre fica mais difícil. Agora, mesmo o Fluminense estando numa de horror – quase um turno inteiro de derrotas -, sinceramente acho que o foco do Vasco deve ser o principal: a partida contra o Coritiba, mordido pela final da Copa do Brasil de 2011, jogando a partida de sua vida, com apoio total da torcida e trazendo o trauma de 2009, quando foi rebaixado no empate contra o Flu no Couto Pereira.

Quinto: não é nenhuma aberração o Flu empatar com o Figueira e o Avaí com o Corinthians. Ao Vasco, basta fazer o que tem feito em suas partidas mais aguerridas fora de casa. Claro que falando de fora é mais fácil, mas às vezes a visão fica mais apurada também.

Chegou a última rodada. Tido como morto, o Vasco chegou com chances ao momento derradeiro. Superou a tudo, inclusive suas limitações. Está vivíssimo.

Se acontecer o que parecia tão óbvio há meses, fica o sentimento de luta, cabeça erguida e vontade de reverter o pior. Havendo a sonhada salvação, é para se comemorar como se fosse um título – não pela campanha ou pela colocação, mas pelo seu desfecho.

A essa altura do fato, só um louco apostaria que o Vasco não tem chances de se manter na Primeirona.

Eu, que não tenho nada de louco, apostei bem antes.

Vamos ver no que dá. Boa sorte a todos vocês.

@pauloandel