2020 é logo ali

“Nada é tão ruim que não possa piorar um pouco”
Quinta lei de Murphy.

“Me considero um profundo conhecedor do Vasco. Tenho ótimo trânsito pelos corredores de São Januário, onde recebo o carinho de sócios, Beneméritos, Grandes Beneméritos, funcionários e torcedores. Tenho vasta experiência profissional e um compromisso com a ética e com a transparência, que me credenciaram para ser o pilar da união de diversos grupos de oposição, alguns até então com posições políticas diferentes, em torno de um projeto grandioso de resgate do Vasco. Um projeto que recoloque o clube em seu devido lugar, de destaque no cenário nacional. Um projeto que faça o torcedor vascaíno, sofrido após quase duas décadas de administração desastrosa, voltar a sorrir.”
Alexandre Campello, aqui para o Panorama, na Entrevista aos candidatos a presidente, agosto de 2017.

Passei vinte dias de férias com minha família, em locais com pouco ou nenhum acesso a internet, descansando de problemas, da realidade e do Vasco. Voltei ao Rio e à civilização horas antes desta eleição abominável, mais um espetáculo deprimente que aqueles que mandam no clube ofereceram, para desespero de nossa torcida e deleite dos adversários, certos de que continuaremos a cavar um buraco que não parece ter fim.

Não gosto de Julio Brant, não seria seu eleitor e não acho que exerceria uma liderança benéfica para o Vasco. Mas a reviravolta protagonizada por Alexandre Campello, que culminou com sua eleição para presidente do Vasco, foi uma desgraça em todos os seus aspectos. Primeiro por desprezar a vontade das urnas, dos sócios, que votaram no pacote Brant – Campello, liderados pelo outro. Segundo, por ressuscitar o moribundo Eurico, que passou – parece que esqueceram – o último mês tentando revalidar os votos da urna sete. Esgotadas as tentativas, tentou desmanchar o resto do time que temos. Perdemos Anderson Martins de graça. Mateus Vital foi para o Corinthians por 30 moedas de prata – quase de graça. Assinou um contrato de material com a Diadora, firma italiana que pra mim já havia fechado as portas. Terceiro, talvez o pior de tudo, sua saída da chapa tirou de casa um dos últimos patrimônios morais do Vasco, Antonio Soares Calçada, com 94 anos, já mal caminhando, para ser desrespeitado, perder uma eleição inacreditável e ouvir (meu Deus do Céu!) gritos de Eurico! quando da eleição de Campello.

Conseguiu-se a proeza de ter uma nova gestão mergulhada em crise já antes de sua posse, com vascaínos de quatro costados jogando a toalha e abandonando a nau.

Não sei onde vamos parar e nem sequer se esta gestão vai conseguir administrar este caos absoluto, união das desgraças administrativas anteriores com a hecatombe política vinda das urnas de ontem. Daqui a dez dias estaremos disputando a partida mais importante dos últimos cinco anos. Infelizmente, acho improvável que todo esse ambiente – que a partir de ontem deixou de ser de renovação e se tornou de continuísmo, de traição – não contamine o Clube. Tempos ainda mais sombrios virão.

Uma última palavra acerca dessa nojeira toda: olhem as pessoas. Vejam os seus olhos, percebam seus passos e vejam, em todo esse teatro, que possivelmente os principais artífices desse caos estão escondidos atrás das cortinas, manipulando as marionetes. O próprio Eurico já não tem mais saúde para muitos embates. Percebam quem está surgindo de trás da cortina e quer a coroa de rei.

O Panorama Vascaíno já é oposição. 2020 é logo ali.