Entrevista com os candidatos à presidência do Vasco da Gama – parte 2

 

Segue a segunda parte das entrevistas que fizemos com os três atuais candidatos à presidência do Vasco da Gama.

7- Quais são os seus planos para o remo? E para o basquete? E para os demais esportes?

Julio Brant (JB): Por obrigação histórica e respeito aos nossos fundadores o Remo terá investimento suficiente para manter a hegemonia no estadual. Buscar receitas próprias e em projetos de captação. Temos que ser sempre os maiores campeões.

Jogamos a NBB sem patrocínio na camisa, isso é um absurdo e escancara a dificuldade da atual diretoria em captar recursos. A popularidade do basquete cresce a cada ano no Brasil, a audiência da ESPN Brasil subiu 64% nas finais da NBA e a torcida do Vasco ama o basquete. Agora, tanto o basquete quanto os demais esportes devem se sustentar, não podemos drenar recursos do futebol pros demais esportes. Vamos através da lei de incentivo montar equipes competitivas. O Vasco tem 4 projetos aprovados e zero captados, o Flamengo recebeu recentemente R$ 20 milhões através da lei de incentivo. Vamos trabalhar muito, pois patrocínio e parceiros não caem do céu.

Otto de Carvalho (OC): O Remo como esporte fundador do clube será preservado. A sede náutica está fora de São Januário e será o único esporte além do futebol a ter uma Vice Presidência própria. Existem inúmeros incentivos ao esporte amador e nossa ideia é utilizá-los ao máximo.

O Vasco possui cinco projetos aprovados na Lei de Incentivo ao Esporte e até hoje nunca arrecadou nada. É possível custear praticamente tudo através desses projetos.

Como o Vasco vive um caos financeiro, trabalharemos para que cada esporte seja autossustentável. Assim como no Remo, buscaremos Leis de Incentivo como existem no Governo Federal, Estadual, Municipal e na Confederação Brasileira de Clubes. Não é justo tirar dinheiro do futebol, que é o carro chefe do Clube, para financiar outros esportes.

Buscaremos parceiros para patrocinar esses esportes. Temos tradição no basquete e o basquete tem totais condições de se autossustentar. As escolinhas também serão incentivadas, pois além de ótima fonte de receita para o Clube também serve como fonte de atletas para o futuro.

Alexandre Campello (AC): A atuação do Vasco em esportes como o remo, basquete, natação, entre outros, sempre foi historicamente importante e deve, claro, ter continuidade. O torcedor gosta, acompanha. O que queremos é que estes esportes sejam autossuficientes, ou seja, não funcionem custeados com recursos do futebol, por exemplo. É imperativo a obtenção de patrocínios exclusivos e recursos oriundos de incentivos fiscais. Entendemos que o remo e o basquete, ainda que não consigam ser autossustentados, devem ser mantidos devido à tradição desses esportes no Vasco. Entretanto, outras modalidades devem buscar projetos que as tornem autossustentadas.

8- E o futebol: quais os seus planos para o time em 2018? Como será a sua política de contratações / aproveitamento das divisões de base?

JB: O ano de 2018 será, obviamente, um ano dificílimo. A atual administração nos entregará um clube arrasado. Vamos criar um Comitê Gestor do Futebol.  Não podemos deixar as decisões nas mãos de um só, só do Vice Presidente. As decisões precisam ser debatidas, em colegiado. 5 membros debatendo e discutindo. Na montagem do elenco profissional a estratégia será usarmos 33% da base. Para que contratar refugos de outros clubes com mais de 35 anos se temos material humano na casa? E mais barato! A prioridade será o Vasco e não os empresários. Além disso teremos o mapeamento do elenco profissional para que as necessidades sejam preenchidas com jogadores que sirvam para o clube e não para o técnico, pois técnico passa e o clube fica com o jogador indicado por ele. Iremos implementar o serviço de scout – inteligência do futebol com funcionários do clube – sem nepotismo e sim por meritocracia e em paralelo a isso o mapeamento de jogadores do mercado sul-americano principalmente Sub-20.

OC: A condição financeira do Clube é um grande limitador para a contratação de jogadores, mas fazendo um trabalho transparente, sério e colegiado podemos ver que é possível montar um time competitivo num curto prazo.

Precisamos enxugar nossa folha do futebol de gira na casa dos 8 milhões. As contratações e renovações têm que ser feitas para solução de problemas e não de formas obscuras como foram feitas ano passado em que jogadores com mais de 33 anos tiveram contratos renovados por mais um ano, sendo que estes atletas não tinham mercado. Resultado: hoje estão encostados gerando somente custo para o Vasco e não deixando espaço para um garoto da base subir.

Pretendemos trabalhar com uma margem de 28 a 30 jogadores no profissional.

AC: Mesmo considerando as imensas dificuldades financeiras a serem enfrentadas por quem assumir o clube, é imperioso que o futebol caminhe bem, com base em organização da atividade profissional e da base. Faremos, aliás, uso intensivo da base – basta ver os jogos do Vasco no atual Campeonato Brasileiro para ver que temos um futuro promissor. Vamos desenvolver um projeto para viabilizar a construção de um moderno Centro de Treinamento. As principais decisões do futebol serão rigorosamente controladas por um comitê deliberativo a ser formado, proporcionando maior transparência e qualidades nas principais negociações do Vasco. Além disso, é de fundamental importância incorporar as melhores técnicas disponíveis ao clube. O Big Data já é uma realidade no futebol para tomar decisões confiáveis e estratégicas e identificar riscos e oportunidades. Por meio de diversos dispositivos, as informações serão integradas no intuito de obter estatísticas avançadas que permitem um melhor acompanhamento dos atletas por parte da comissão técnica e gestores. Visamos profissionalizar o departamento de futebol com o que existe de melhor, tanto a nível material quanto humano.

9- Como pretende administrar as divisões de base?

JB: Para a base teremos investimento pesado, a base é o centro de inovação tecnológica da empresa, precisa de toda a atenção, investimento, estrutura e profissionais bem remunerados. Precisamos revelar e vender ao menos R$ 30 milhões / ano na média, menos que isso é um absurdo para o Vasco. Na base a meta é: formar craque, ganhar título é consequência. O futsal terá papel importante, de destaque na base, e Felipe e Pedrinho serão os grandes inspiradores disso. Não teremos distinção de salários na comissão técnica nas categorias, o sub20 tem a mesma importância do sub13, por exemplo. Estas equipes terão remuneração variável por conta da venda dos atletas nos profissionais, repito: a meta é formar, título é consequência. Teremos professores de educação física na formação dos meninos, que precisam aprender a correr, saber respirar, dominar a bola, jogar em equipe, ou seja, os fundamentos básicos. Isso será nossa base, uma escola de verdade, não só de futebol, mas de vida. Gostaríamos de incluir no dia a dia dos meninos, aulas de artes marciais, provavelmente o jiu-jitsu com os irmãos Valentes (filhos do Grande Benemérito Pedro Valente), pois a disciplina e respeito aos adversários são fundamentos importantes para um atleta.

OC: A base é a solução de médio e longo prazo para o Vasco. Temos tradição de revelar grandes jogadores. Recentemente o Vasco faz jogador e estes saem do clube cedo e a preço de banana. Nossa ideia é criar um plano de carreira para os jogadores, incentivando-os a permanecerem no Vasco por mais tempo.

Nossa ideia é colocar todo o futebol debaixo da mesma vice-presidência e criar um intercambio maior de informação entre os profissionais que trabalham em todas as categorias.

Incentivaremos nossa categoria de base a jogar torneios internacionais para que quando se tornarem profissionais já tenham rodagem com a cultura de outros países.

Um projeto que não está descartado é a criação de um CT para a base em terreno cedido pela prefeitura. Existiu um terreno cedido pelo prefeito na gestão do Dinamite e perdido na gestão do Eurico. Tentaremos o contato com o atual prefeito para ver se é possível reaver este terreno.

AC: A ideia é que o Centro de Treinamento integre a base e os profissionais. Queremos acompanhar de perto os garotos. Valorizar a base é valorizar o mais importante ativo do Vasco, além de ser fundamental na montagem de um time aguerrido, que tenha identificação com a camisa do clube. Obter o Certificado de Clube Formador (CCF), respeitando determinados requisitos exigidos, também será prioritário. Dos grandes clubes do Rio, o Vasco é o único a não possuir o documento concedido pela CBF e que permite uma série de benefícios – entre eles, o de proteger os jovens atletas de interesses de outros clubes.

10- Para o Senhor como deve ser a relação do clube com as torcidas organizadas? Elas terão alguma participação na sua administração?

JB: Não tem condição de uma Torcida Organizada participar da administração do clube, nem o clube deve participar na administração da Organizada, são coisas diferentes. Queremos criar uma cultura de festa na arquibancada no Vasco. Pessoas visitam o Signal Iduna Park, estádio do Borussia Dortmund, para ver o espetáculo da torcida, teve um jogo da Champions League, que fizeram um mosaico o jogo inteiro, saiu em todos os jornais do mundo. Isso sim deve ser a relação da organizada com o clube, não de dependência. Pretendemos ter uma categoria de sócios para torcida organizada, além do torcedor pontuar, a torcida pontua e pode trocar esses pontos por bandeira, material pra bateria, um ônibus pra uma caravana e se essa torcida se envolver em brigas é cortada temporariamente ou de vez desse programa, além de facilitar na identificação. Acreditamos que a maior parte dessas torcidas são de vascaínos que querem apoiar o time, sem vandalismo e violência, com destaque para os espetáculos que dão na arquibancada. Na história nos destacamos assim, focaremos nisso. Se a Torcida quiser ajuda para viagens, ajude o clube fazendo seus integrantes sendo sócios. Queremos uma via de mão dupla, ganha-ganha.

OC: As torcidas organizadas são entidades próprias que têm na sua criação a intenção de ajudar o Vasco e qualquer pessoa seja física ou jurídica que quiser ajudar o Vasco será muito bem vinda.

Estamos estudando a criação de categorias especiais dentro do nosso plano de sócios para as torcidas organizadas.

Obviamente que não terão regalias e qualquer relação com as torcidas organizadas será transparente. Não haverá favorecimento a nenhuma torcida.

AC: Nós da Frente Vasco Livre achamos que as torcidas organizadas são um patrimônio do clube, É inestimável a contribuição das Torcidas Organizadas para a festa nos estádios. A vibração, as coreografias, instrumentos musicais, cantos, bandeiras, todo esse universo de variadas dimensões e códigos deve ser valorizado por todos os vascaínos.

É fundamental que o relacionamento do clube com as torcidas organizadas seja transparente e público. Essa relação deve ser justa, sem favorecimentos a nenhuma torcida. Queremos que essa governança esteja publicada no site do clube para que não existam dúvidas.

O ministério público e o GEPE estão apertando o cerco para torcedor organizado que gosta de brigas. Queremos que o Marketing do clube trabalhe junto com os líderes de torcidas organizadas essa nova realidade das torcidas organizadas. Tenho certeza que essa mudança no relacionamento será muito positiva para o clube.

11- Plano de sócios: o que o Senhor pretende fazer de diferente? Ou o plano atual está perfeito e não precisa de alterações?

JB: De cara permitir de maneira automática e natural, que os sócios proprietários possam pagar suas mensalidades atrasadas ou adiantar pagamentos, nada de carta pra Vice Presidente autorizar, hoje o sócio quer pagar e o clube cria dificuldade…um absurdo! O plano de sócios precisa de expansão, além de uma categoria para as torcidas, vamos voltar com o Sócio Geral, facilitando os atuais Gigantes a migrarem pro Geral com direito a voto e ser votado. Hoje o Vasco é um dos clubes que cobra mais caro para um torcedor ter direito a voto, R$1.500,00 mais as mensalidades. É inaceitável um clube popular, da zona norte, elitizar seu quadro votante. Vamos acabar com isso! Queremos expandir, aumentar a base de sócios, aumentar a taxa de conversão de torcedor em sócio, votação pela internet, aumentar os parceiros, benefícios. O sócio terá acesso ao balanço semestral do clube, o sócio poderá votar no modelo de uma terceira camisa, faremos mais Assembléias Gerais, o sócio precisa participar mais. Em resumo, o foco será: clube de vantagens, sistema de pontuação, voto e participação.

OC: O plano de sócio do Vasco é muito ruim. Não é a toa que estamos muito atrás de nossos rivais nesse quesito. Como disse, 70% da torcida está fora do Rio. Temos que conhecer nosso torcedor antes de fazer um plano de sócio.

Pretendemos criar categorias de sócios que variam do preço de 15,00 a 200,00 por mês, pois nossa torcida é muita heterogênea. É claro que os benefícios vão variar de acordo com as categorias.

Já mapeamos as cidades e estados de maior concentração de vascaínos espalhados pelo Brasil e além da alteração do plano de sócio, criaremos projetos chamada Casa do Vascaíno que serão pequenas sedes espalhadas pelo Brasil onde o torcedor poderá se associar e frequentar em dias de jogos do Vasco.

AC: O plano de sócios atual não está perfeito, pretendemos como um primeiro movimento diminuir a joia do sócio proprietário para capturar novos sócios e promover um recadastramento de sócios. Entendemos que o direito a voto aproxima o clube do seu torcedor.

Estão previstas ações para resgatar sócios inadimplentes e sócios que tiveram a matrícula cancelada por falha do clube. Está sendo trabalhada também uma categoria para sócios fora da região metropolitana do Rio de Janeiro que tem pouco acesso a São Januário, para estes existe um grupo de trabalho que está estudando os principais planos de sócios no Brasil e no exterior para que tenham benefícios específicos para os sócios que não estão próximos de São Januário.

É importante deixar claro que nenhum sócio contribuinte ou remido perderá o seu direito adquirido. Para estes que contribuem nesse período complicado do clube e para aqueles que contribuíram no passado também estão sendo previstas ações específicas. O Clube precisa reconhecer e agradecer a esse sócio.

Nossa ideia também é ampliar os parceiros e aumentar o programa de fidelidade para que a experiência de sócio seja cada vez mais vantajosa para o vascaíno.

12- Pretende propor / patrocinar alguma alteração no estatuto do clube? Se sim, qual ou quais?

JB: O Estatuto do clube é de 1979, o mundo era outro. O estatuto deve ser um organismo vivo e refletir sempre as alterações na sociedade. A ideia é criamos uma comissão no Conselho Deliberativo de 5 membros, 2 Beneméritos ou Grandes Beneméritos, 2 conselheiros da chapa eleita em primeiro lugar e 1 conselheiro da minoria. Em paralelo abriremos aos sócios que coloquem suas sugestões para esta comissão. Depois o trabalho da comissão vai pro Conselho Deliberativo e depois disso pra Assembléia Geral, pros sócios votarem item a item. Não será uma votação de sim ou não para a reforma toda, será ponto por ponto. Os itens que pensamos debater são: Aumento do poder do Conselho Deliberativo; Diminuição do poder do Presidente da Diretoria Administrativa; Aumento do numero de membros do Conselho Fiscal; Eleições diretas para Presidente da Diretoria Administrativa e vices; Unificação da lista de eleitores e elegíveis, ambos com 3 anos de vida associativa; Eleições pela internet e urna eletrônica; Reorganização das categorias de sócio; Rearranjo das 300 cadeiras do Conselho Deliberativo; Descasamento do mandato do Conselho Fiscal; Recadastramento de 3 em 3 anos entre outros. Mas lembro que a Comissão, Conselho Deliberativo e Assembleia Geral são soberanos.

OC: Esse é o meu principal diferencial em relação aos meus concorrentes. Não só proponho um novo estatuto como sou o candidato com mais chances de conseguir implantar esse novo estatuto no Vasco. Algumas propostas são eleições diretas para todos os poderes do clube (exceto Conselho de Beneméritos), melhor distribuição entre os poderes, aumento de integrantes do Conselho Fiscal, criação de uma auditoria interna ligada ao Conselho Fiscal (sem interferência da Diretoria Administrativa), criação de uma Ouvidoria ligada ao Conselho Deliberativo (sem interferência da Diretoria Administrativa), criação de comissões específicas, maior transparência nas finanças, apresentação de contas trimestrais com acompanhamento do orçamento, decisões colegiadas entre o presidente e seus vice-presidentes, entre outras mudanças.

AC: Sim, queremos mudar o estatuto do clube que na maioria de seus capítulos vige desde 1979. Desde lá, mudou muito o relacionamento entre o clube e os sócios. Primeiramente vamos adequar o estatuto a estrutura organizacional que queremos para o clube. Queremos montar uma comissão dentro do Conselho Deliberativo para trabalhar nessas questões que já estão sendo aprimoradas pelo núcleo de gestão da Frente Vasco Livre.

Sábado, a terceira parte. Não percam!!

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